7 de out. de 2008

FEITIÇOS DAS ORGANIZAÇÕES - Maria Aparecida Rhein Schirato

O trabalho é uma das atividades mais importantes do ser humano. É dele que se tira o sustento, é dele que se obtém status, satisfação pessoal, é através dele que projetamos uma vida, um futuro. Em resumo, as pessoas trabalham para melhorar de vida e para serem felizes. Mas o que acontece quando o empregado é desligado da empresa é demitido é muitas vezes o sentimento de exílio, abandono, sentimento de impotência.
Segundo Maria Aparecida Rhein Schirato, autora do livro o "Feitiço das Organizações - Sistemas Imaginários", organizações e homens se atraem num mundo de promessas. As organizações, segundo a autora, criam um sentimento de proteção, reconhecimento social, sucesso e de certa forma são um porto seguro. Porém existe uma relação de poder em que o empregado tem que se adequar à política organizacional, tem que fazer "parte do time", ou seja, é necessário que ele se adapte a cultura organização e logicamente produza, gere lucros. Em troca da dedicação e da entrega do tempo e da vida à organização, espera ser recompensado, através de aumento salarial, reconhecimento, poder, posição social. O que acontece com muitos trabalhadores é a perda da identidade pessoal, passando a ser uma extensão da organização. Se a aliança e a entrega total do trabalhador na organização é resultado de um mundo simbólico, imaginário, representado por intenções e promessas, sucesso, reconhecimento social, etc., igualmente o rompimento dessa aliança - ou fusão - dá-se no plano do imaginário como abandono, fracasso, impotência, condenação às trevas e à desgraça. Fora do plano imaginário, longe do feitiço, a empresa não é tão protetora e nem o desemprego é tão ameaçador, resume a autora.
É preciso não se deixar levar pelo feitiço das organizações. As empresas têm que assumir, no imaginário do trabalhador, uma relação de parceria, não de escravidão e dependência absoluta como se fora dos muros da empresa, nada mais existisse. É preciso que os trabalhadores sejam independentes, gestores de si próprios e de suas carreiras. Que a crise de um possível desemprego, seja sim, visto como uma nova fase, novas oportunidades e idéias sempre aparecem nos momentos de crise.
Segundo a consultora Maria Aparecida Rhein Schirato, depender emocionalmente da empresa faz mal para a carreira. Mas pode ser pior ainda para sua vida.
O feitiço das organizações é o espaço ocupado pelo imaginário, cujo conteúdo foge do controle racional e torna-se às vezes determinante na forma de comportamento dos indivíduos.
Tanto a segurança do emprego quanto o abandono do desemprego estão muito mais no imaginário do trabalhador do que nos fatos reais.
Num primeiro momento, a empresa é a grande articuladora. Mas, no fim, tudo se confunde, e ela também passa a ser vítima do processo. É como se profissionais e organizações vivessem dentro de uma grande bolha formada pela fusão entre o imaginário da empresa e o dos trabalhadores.
Um profissional não deve ser fiel à empresa, ao emprego - ele deve ser leal ao seu trabalho, aos seus princípios. Lealdade e ética andam juntas, enquanto a fidelidade está ligada à servidão.

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